Povo indígena mundurucu começa a usar energia solar

A iniciativa permite que duas aldeias indígenas usem a energia de painéis solares em suas escolas e áreas comuns

Duas aldeias indígenas do povo mundurucu, no estado do Pará, estão usando placas fotovoltaicas para gerar energia solar. Os painéis foram instalados por uma parceria entre a ONG Greenpeace e a fundação americana Empowered by Light, como parte de um projeto de mobilização contra a construção de usinas hidrelétricas no Rio Tapajós. Essas hidrelétricas, caso saiam do papel, podem alterar cursos de água nas terras dos mundurucus ou alagá-las.

Thiago Almeida, do Greenpeace, participou da instalação das duas placas solares nas aldeias. Ele conta que os mundurucus tinham antes acesso limitado à energia elétrica. Eles usavam um gerador a diesel que funcionava apenas seis horas por dia. Com a eletricidade gerada pelo sol, terão energia 24 horas por dia. A eletricidade será usada nos freezers, para guardar peixes e carne, nas áreas comuns da aldeia e em duas escolas. “A energia é toda voltada para espaços comunitários, como a escola. E tem os freezers. Para a gente, parece óbvio, mas esses freezers causam um impacto positivo muito grande na vida da aldeia. Sem eles, era preciso salgar a carne ou o peixe para conseguir manter os alimentos.”

Os painéis instalados usam a mesma tecnologia de energia solar que está disponível nas cidades. A única diferença é que eles são off-grid, ou seja, não estão ligados na rede. “A opção por instalar esses sistemas é para mostrar que há soluções com energias renováveis como solar e eólica. Se você pensar que a energia solar pode chegar ao meio da Floresta Amazônica, então ela pode chegar a qualquer lugar”, diz Almeida.

O povo mundurucu é um dos principais opositores da hidrelétrica. A área em que eles habitam, a Terra Indígena Sawré Muybu, até hoje não foi oficialmente demarcada. Por isso o temor de que, caso o processo de licenciamento da usina siga adiante, eles possam perder suas terras. O processo de demarcação começou há quase dez anos. Neste ano, em abril, a Fundação Nacional do Índio (Funai)reconheceu que as terras pertencem aos índios.

A usina hidrelétrica do Tapajós é um projeto liderado pela Eletrobras para gerar 6,3 gigawatts de energia, com custo da obra previsto em R$ 18 bilhões. O processo de licitação da usina foi iniciado em 2015. Porém, após contestações a respeito da qualidade do Estudo de Impacto Ambiental, o processo foi suspenso. O presidente interino Michel Temer, entretanto, já deu declarações indicando que pretende retomar o leilão da obra tão logo se encerre o processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.

Fonte: Bruno Calixto – Época

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